O primeiro encontro (26/ 06/2010) focalizou presença da narrativa na vida humana e a capacidade narrativa que todos nós temos. Narrando ou ouvindo, compartilhamos os acontecimentos, a memória ou o imaginário no tempo e no espaço. Intencionalmente ou não, conscientemente ou não, estamos imersos no mar de narrativas, em busca de um sentido de vida. Refletir sobre os múltiplos papeis da narrativa em nossas vidas, da diversão ao conhecimento, para a criança, para o adulto e para o idoso, foi o objetivo dessa primeira oficina, que contou com a participação do professor Sergio Bello.
Sergio Carneiro Bello é um dos mais destacados contadores de história de Santa Catarina, sendo frequentemente convidado a participar de eventos internacionais, como o recente I Encontro Internacional CAIXA de Contadores de Histórias. Ele é Bacharel e Licenciado em Ciências sociais pela UFRS, Especialista em Ética e Alteridade na Educação e Formação de Educadores e Mestre em Educação pela UFSC. É professor de Filosofia, atualmente ministrando a disciplina Mídia-educação no curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, no município de São José, Grande Florianópolis. Exerce também a função de Coordenador do programa Sarau de Histórias e de Coordenador Pedagógico da Escola Infantil Sarapiquá, em Florianópolis, Santa Catarina.
Ao falar sobre o que faz, o professor Sergio Bello disse que é “um contador de histórias da oralidade”, que se apropria do conto para recontá-lo com suas palavras, o que o leva a procurar contar história como quem está conversando com o outro. Sergio nos contou que foi a partir de sua experiência com a educação escolar que acabou por desenvolver uma “reflexão aprofundada acerca da natureza do texto da oralidade, suas diferenças e semelhanças com a escrita, as modalidades da linguagem verbal oral e escrita, seus aspectos de complementaridade e especificidade”. Essa reflexão foi concretizada em sua dissertação de Mestrado, sob a orientação de Gilka Girardelo, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.
Segundo Sergio, atualmente o contador de histórias vem ganhando notoriedade, principalmente devido a uma nova demanda: a abertura de espaço no currículo das instituições escolares para a contação de história. Para o professor, o conto de histórias estimula a imaginação, dá vida à leitura, cativando as crianças e provocando sua curiosidade.
Autores como Barcellos e Neves (1995) embasam a argumentação do professor Sergio Bello ao afirmarem que a criança que ouve histórias com freqüência “educa sua atenção, desenvolve a linguagem oral e escrita, amplia seu vocabulário e principalmente, aprende a procurar, nos livros, novas histórias para o seu entretenimento”.
O encontro se desenvolveu como entrevista livre, em clima descontraído. Ao mesmo tempo em que relatava sua vivência com as histórias e respondia questões que lhe eram colocadas, Sergio brindava os participantes com histórias que entremeava ao relato de sua vivência, envolvendo o grupo no encantamento do imaginário. Pode-se dizer que o encontro foi uma oportunidade privilegiada de exercitar o ouvir e admirar as habilidades de narrar do contador de história Sergio Bello.
Referencias:
BARCELLOS, Gladis Maria Ferrão; NEVES, Iara Conceição Bittencourt. Hora do conto: da fantasia ao prazer de ler. Porto Alegre: Sagra DC Luzzatto, 1995.
Disponível em: Acesso em: 30/06/2010
Acesso em: 02/06/2010.
http://diegowpassos.blogspot.com/2009/11/conversa-com-sergio-bello.html
Acesso em: 10/06/2010
