O tema narrativa e memória marcou o inicio do segundo encontro do projeto Narrativa e Formação de Identidade. Para fundamentar a discussão foi utilizado o texto: O mistério das recordações, da revista Mente e Cérebro - Scientific American, que apresenta o trabalho de Eric Richard Kandel cientista suíço que teve seu trabalho premiado pelo Premio Nobel de Medicina no ano 2000 e que especializou-se em psiquiatria, neurobiologia e no estudo dos mecanismos moleculares nas sinapses da lesma marinha Aplysia Californica. Segundo o próprio Kandel, o estudo do molusco “levou à descoberta de que a base da cognição está na criação e no fortalecimento de conexões entre os neurônios”.
Durante a palestra de lançamento do seu último livro nos Estado Unidos, Kendel fala explicitamente sobre a importância de estudar ainda mais a memória. Ele afirma que: “Somos o que somos por causa daquilo que aprendemos e lembramos”. De acordo com Ivan Izquierdo, professor titular de Neuroquímica da Faculdade de Medicina do estado do Rio Grande do Sul, a memória é a aquisição, a formação, a conservação e a evocação de informações. Para Izquierdo, por aquisição entende-se aprendizagem e só se “grava” na memória aquilo que foi aprendido. A evocação também pode ser chamada de recordação, lembrança, e só lembramos o que gravamos, o que foi aprendido.
Izquierdo complementa a afirmação de Kandel afirmando que somos aquilo que recordamos, por outras palavras, “não podemos fazer aquilo que não sabemos fazer, nem comunicar nada que desconheçamos, nada que não esteja na nossa memória (...) o conjunto das memórias de cada um determina aquilo que se domina personalidade ou forma de ser” (IZQUIERDO, 2002)”.
Mas qual a ligação entre memória e narrativa? Por narrativa entende-se o ato de contar histórias, é uma forma de comunicar-se através das palavras ou da escrita, a forma como entedemos as coisas, evidenciando o que está registrado na nossa memória. É neste ponto que encontra-se a ligação entre memória e narrativa. Ao narrar estamos apresentando um fato que já aconteceu conosco, talvez uma historia passada de geração pra geração, talvez estamos apresentando a outrem as nossas vivencias… as chamadas narrativas autobiográficas, contemplando outro tema apresentado no encontro.
Comentou-se também sobre a linguagem: caminhos neurofisiológicos da fala e da escuta. De acordo com a concepção vygotyskyana a linguagem representa um papel fundamental na interação do ser humano com o meio e subsequente formação de vínculos. Permite ao indivíduo estruturar o seu pensamento, traduzir o que sente, expressar o que já conhece e comunicar com os demais (VYGOTSKY, 1988). Segundo Braga (2006), a comunicação é “essencial para o crescimento humano, pois é por meio das relações interpessoais que buscamos compreender as pessoas e expressar pensamentos”.
No entanto, a nossa forma de comunicar-se é falha, pois privelegia apenas o falar, e negligenciamos o escutar, que também é muito importante para a comunicação saudável. Segundo artigo publicado na revista Veja on-line, “as escolas médicas dos Estados Unidos estão adotando um novo tipo de curso – a medicina narrativa, disciplina que visa estimular o aluno a ler mais e a escrever mais, como forma de melhorar sua futura comunicação com o paciente”. O aluno também aprende técnicas para ouvir, afinal “para narrar é preciso saber ouvir”.
O encontro também contou com a participação da Doutora Janete Aragones Didoné que falou sobre a audição, explicando como ocorre no cérebro o processo de recepção do estimulo auditivo capturado por nosso órgão sensorial (o ouvido) responsável exclusivamente por capturar este tipo de estimulo e como ocorre o processamento desta informação auditiva.
BRAGA, E.M. Como acompanhar a progressão da compentencia comunicativa no aluno de enfermagem. Revista Escola de Enfermagem, USP. 2006.
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